algodão doce

Uma noite, conversando com amigos em um boteco do Benfica, vi depois de muitos anos um vendedor de algodão doce. Não desses que vendem em sacos plásticos, mas daqueles que faz na hora. Minha surpresa foi que o vendedor era o mesmo que eu costumava comprar quando criança. Seu rosto, eu não havia reconhecido bem, mas o sorriso e o modo como vendia ainda me eram familiar. Lembro-me que quando criança, oito anos ou menos, ele passava em minha rua, eu, corria para o meu avô para pedir 1 cruzeiro, o preço da tão cobiçada guloseima, depois corria em disparada para não perder sua passagem. Ele fazia o algodão doce em um carrinho com duas rodas e um pé de apoio, na parte de cima e no centro, uma forma em grande circulo com um recipiente para por o açúcar no meio. Acendia o fogo, não sei como, com o dedo indicador, que ficava uns instantes aceso até ele acender no lugar apropriado, era uma atração e eu ficava impressionado querendo descobrir o segredo. Colocava o açúcar e girava uma manivela, aos pouco ia surgindo do nada o algodão doce, branquinho, branquinho. Com agilidade retirava o algodão da forma redonda e me entregava compacto envolto em papel de padaria. É para mim inesquecível o sabor e como o algodão ia dissolvendo em minha boca. Quando o vi agora, parecia que não tínhamos envelhecido, sensação que temos com olhamos a família. Fui em sua direção para comprar e tinha certeza que iria desvendar o segredo do fogo. Que nada, fiquei bobo do mesmo modo quando criança, dava até vontade de comprar outro só pra tentar descobrir como é que ele acendia o fogo e não se queimava! Desisti desconfiado e voltei para a mesa do boteco, mas fiquei feliz em saber que ainda posso encontrá-lo.


fragmento da etnografia que ainda não saiu...

12 mensagens na garrafa:

Lílian disse...

ahhh ...
e o chegadinho? gosta?
bjo

Paulo disse...

chegadinho? gosta?

...mas é claro!

Tate Fish disse...

Até hoje curto algodão doce, mas não tive a sorte de reencontrar o vendedor e seu carrinho... e seu carinho. bjos.

Alice disse...

...é uma lembrança doce e mágica... como o surgir do algodão em um palito... assim do nada, do ar..rs

beijo e carinho... sempre.

paulinha disse...

nossa...a ultim vez q comi algodao doce foi numa quermesse perto da casa do meu pai...havia anos q nao me deliciava com isso..tem gosto de infancia, sem duvidas!
fico feliz por vc..
bjuxxx mil.

Regina disse...

Humm...essa lembrança me fez recordar da minha infância...
bjos

Paula disse...

Bella história, Paulo. Também tenho ótimas lembranças da infância, e infelizmente nunca mais comi algodão doce.

Beijolas

rainha lagarto disse...

gostei desse espaço! :-)

puxa, isso é sensacional, eu tb comprava algodão doce, mas eu acho que me empolgava tanto com a guloseima em si, que nem reparava na cara de quem estivesse vendendo!

bjão!

Paty disse...

Foram tantos os vendedores em minha infância...
Mas tb nunca entendi como conseguiam acender...
E aidna sinto o algodão derreter em minha boca...
Beijos derretidos...
Patuska

Lid disse...

Tu me fez lembrar da minha infância tb! E além do algodão-doce, lembrei tb do rapaz que vendia picolé na rua e eu adorava! Ele passava todo dia na minha casa e eu só comia o de castanha! rs

Thulio disse...

SIMPLESMENTE FANTÁSTICO O SEU MODO DE ESCREVER !!!! Já escreveu algum livro ou artigo para algum site/revista? Se ainda não o fez, tenha certeza que um dia terá a oportunidade.
Se tiver algum tempo, dá uma passada lá no meu blog por favor... É claro que eu não escrevo tão bem como você - de qualquer jeito não consegueria tal proesa... tenho só 15 anos - mas ficaria muito honrado se um escritor nato como vc deixasse a sua opnião no meu blog...

Valeu mesmo...

Thulio disse...

Oi... estou tão viciado nesse negócio de blog, que já atualizei o meu.
Passa lá e dê a sua opnião por favor...
Brigadão.

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